De Manaus a Machu Picchu - dia 02



Quando começamos a pesquisar sobre uma possível viagem de carro ao Machu Picchu, logo percebemos que o carro seria justamente o calcanhar de Aquiles do projeto. Pra levar nosso próprio carro até Rio Branco seria necessário, primeiro, levá-lo até Porto Velho de balsa. Em seguida haveria o trajeto entre as duas capitais, que é feito em uma 'rodovia' em péssimo estado. E ainda há a recomendação, em alguns blogs, dizendo que, mesmo sendo proprietário do veículo, seria necessário um procedimento burocrático no consulado do Peru. Continuei pesquisando e descobri que, de maneira geral, nenhuma locadora autoriza o trânsito dos seus carros em outro país. Mas finalmente descobri em Rio Branco uma exceção: a Unidas. Mesmo assim, não é simples, então eles indicaram o Cassiano, da Eme Amazônia. E eu recomendo os seus serviços, pois além de resolver o problema do carro em si, também adiantou muito da burocracia junto à Aduana Peruana.
Então, seguindo a sugestão do Cassiano, saímos cedo de Rio Branco (cerca de 07:35, mas minha intenção era sair mais cedo) e chegamos à Aduana Brasileira às 12:15.
A estrada do lado brasileiro não é movimentada, mas é traiçoeira. Em um momento está um tapete, e instantes depois você engata uma segunda marcha porque simplesmente não tem como desviar dos buracos e crateras. Os 340 km deste primeiro trecho levam 4:40h não à toa. É preciso atenção. E de jeito nenhum deve-se fazer esse trecho à noite.
O trâmite na imigração brasileira não foi exatamente demorado (só havia uma pessoa na nossa frente), mas não se compara à agilidade dos colegas em aeroporto internacional. Resolvida a documentação no Brasil, nos informamos sobre restaurantes e seguimos para Inapari, já no Peru. Uma curiosidade: após a Aduana do lado brasileiro, você ainda tem acesso à cidade de Assis Brasil. De forma similar, em Inapari, você primeiro passa por toda a cidade e por último vem a Aduana Peruana. Então almoçamos no Peru mesmo sem termos feito a imigração. Almoçamos no Restante Dom Alberto. Comida boa, bem servida e barata (dois filés e um ceviche, mais as bebidas, ficaram por S 90 (noventa soles). Como eu ainda não tinha soles, paguei no cartão e marcou R$ 107 (em 09/12/18).
Já na Aduana do lado peruano, tivemos um pouco de sorte de não ter fila (logo após entrarmos, apareceram três carros e uma van cheia de gente), então em pouco mais de uma hora estava tudo resolvido, inclusive com a troca das moedas. Seguimos todas as recomendações do Cassiano, apresentamos a documentação e não houve nenhum imprevisto!
Se você pesquisar pelo Google Maps, você vai ver que ele estima que o trajeto entre Assis Brasil e Puerto Maldonado pode ser feito em 3:30h. Não se iluda. Não dá. Respeitando os limites de velocidade (a máxima neste trecho é 60 km/h), demora pelo menos 4 horas. Nós demoramos 4:15h, pois estava movimentado e a última hora foi no escuro.
Além disso, por todo o percurso haviam centenas de motos, moto-táxis e pequenos triciclos chamados motocar (parecidos com os riquichás indianos). Eles se sentem em casa na rodovia. Entram e saem sem dar indicação, estão sempre lotados de gente e carga e, quando escurece, com iluminação irregular (ou não tinha, ou às vezes parecia uma viatura de polícia, com luzes coloridas piscando).
Chegamos em Puerto Maldonado e nos hospedamos no Hotel José Antonios Inn, que é simples, mas aconchegante, tem o que você precisa pra descansar. Jantamos em uma polleteria ao lado do hotel. Meio frango assado na brasa, batatas fritas, salada e Inca Kola, ao custo de S 44. Enquanto estávamos com fome, estava tudo muito gostoso. Depois, esperando pelo troco, a Mor começou a observar os 'cuidados' dos funcionários e... bom, tem coisas que é melhor ignorar. :D

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