O segundo trecho da volta inclui a passagem pela imigração, o que pode gerar atrasos não previstos. Saímos de Puerto Maldonado às 8 horas, com previsão de chegada em Inapari às 11:30h. Como todo o resto do trecho no Peru, a estrada é boa, pedagiada e razoavelmente bem sinalizada (mais sobre isso daqui a pouco). O problema são os peruanos.
Já o trecho brasileiro é mal conservado, especialmente nos trechos próximos a Brasileia e no trecho urbano em Rio Branco.
O que falha nas rodovias peruanas é a sinalização de locais de ultrapassagem. Há vários pontos em que a faixa está tracejada, mas que não há a mínima condição de realizar a manobra. Às vezes o trecho é curto demais (houve casos em que a faixa tracejada tinha menos de 30 metros! Não fazia o menor sentido), e outras em que simplesmente não havia visibilidade, seja em função do relevo ou de uma curva. Então vale ressaltar que o bom senso é muito importante. Com relação aos motoristas peruanos, como eu já disse anteriormente, eles não sabem utilizar os faróis. Às vezes já está escuro e eles não acendem o farol baixo. Outras vezes, ficam direto com o farol alto. E ainda tem os que piscam os faróis por tudo e por nada. Outro ponto que dificulta um pouco é a utilização das setas em ultrapassagens. Às vezes eles piscam para a direita já no início da manobra, ao invés de piscar primeiro pra esquerda e depois para a direita, quando vai voltar para a faixa. Também notei que alguns caminhões acionam a seta para a esquerda querendo dizer que o caminho está livre para que eu fizesse a ultrapassagem. Decidi ignorar e decidir por conta própria.
Por último, ainda na rodovia peruana, há um único trecho (em dezembro de 2018) que está ligeiramente mal conservado, que fica entre 30 e 40 km de distância de Inapari. De resto, a manutenção é boa. Tive alguns problemas na passagem pela cordilheira em função de deslizamentos de terra e pedras, que danificaram o asfalto ou estreitaram a faixa de rodagem. Tanto na ida quanto na volta houve desvios e paradas. Mas nada que comprometesse a viagem.
Voltando ao trecho brasileiro, quando você se aproxima de Brasileia, você precisa de muita atenção Houve vários casos em que eu precisei quase parar o carro, pois não tinha como desviar dos buracos, que cobriam toda a largura da pista, e eram profundos.
Outro ponto que eu acho relevante mencionar é com relação aos transportes alternativos. Li em vários blogs experiências de brasileiros que se utilizam de táxis, vans e ônibus para cobrir o trajeto entre Rio Branco e Cuzco Na minha opinião é loucura. Os taxistas (do lado brasileiro) não raro trafegam a mais de 120 km/h (lembre-se de que é uma rodovia de mão dupla, com limite de 80 km/h, cheia de buracos e com possibilidade de cruzamento de tratores, animais e motocicletas). Do lado peruano não é muito diferente. O limite de velocidade é de 60 km/h, mas ninguém respeita. Ninguém. Muito menos as vans e ônibus. E os motoristas das vans devem ter um sistema de radar ou de visão além do alcance, pois eu fui ultrapassado em trechos inacreditáveis. Não é muito diferente com os ônibus, que também fazem ultrapassagens como se nunca viesse alguém em sentido contrário. Ou seja, eu acho inseguro, mas é a minha humilde opinião. Por outro lado, vale ressaltar que não vimos nenhum acidente ou algo parecido, e poucos carros pareciam ter sofrido alguma colisão, então pode ser que eles tenham muita sorte. Vai saber...
De qualquer forma a viagem transcorreu sem maiores problemas (caímos em alguns buracos, sendo o pior já em Rio Branco, em uma rotatória, e houve o caso da bateria descarregada, mas fora isso, nada).
Na questão da imigração (tanto brasileira quanto peruana), basta ter paciência (ou sorte). Na ida só demoramos no lado brasileiro, por questões burocráticas mesmo. Um formulário longo pra preencher, e o registro demorado no sistema da PF. Na volta, tivemos um pouco de azar no lado peruano, pois havia fila, mas no lado brasileiro foi bem rápido. Nos dois casos demoramos cerca de uma hora / uma hora e meia para todos os trâmites.
Almoçamos ainda em Inapari, no mesmo restaurante Don Alberto, depois jantamos no restaurante do hotel Ibis próximo ao aeroporto.
A Unidas aqui é bemchata criteriosa na hora de fazer a vistoria do carro, mas como não houve nenhum incidente, a devolução transcorreu sem problemas. E, como acabamos por devolver o carro um dia antes do previsto, a companhia se comprometeu a realizar o estorno desta diária - só não o fez na hora porque o perfil de acesso da funcionária não permitia esta opção.
Uma última observação com relação ao passeio a Machu Picchu: é caro. Tudo é muito caro. Mas vale a pena!! Quanto caro? Bom, primeiro: o viajante comum chega lá de trem, que custa entre U$ 45 e U$ 85. POR TRECHO!!
A opção de U$ 45 é o trem mais barato e EM PROMOÇÃO. Já o Vistadome da PeruRail (que tem janelas maiores e oferece um snack) custa em média 80 ~ 85 dólares.
Existe ainda a primeira classe, que pode chegar a U$ 450 POR TRECHO. Acho que os assentos devem ser de ouro. Não consigo imaginar em outro motivo que justifique este valor por uma viagem de 92 km.
Segundo: eu comprei os tickets de entrada no Machu Picchu através do site próprio, pagando, por pessoa, entre S 150 (só a cidadela) e S 200 (incluindo a entrada para a subida de Huayna Picchu). No site não tem opção para comprar 'meia entrada' (menores de idade e estudantes). A outra opção seria comprar com intermediários, mas o preço sobe para U$ 70,00. Com a taxa atual para a moeda americana, não compensava, mesmo considerando as entradas reduzidas para as crianças.
Mas não para por aí, pois, a não ser que você tenha muito preparo físico, ainda será necessário pagar o ônibus com o qual você sobe os 200 metros da montanha, até a entrada da cidadela. Esta meia hora de ônibus custa U$ 12, cada trecho.
E, para finalizar, tudo é mais caro em Machu Picchu. Hospedagem e alimentação passando pelas lembrancinhas do (divertido) mercado que fica grudado à estação.
Mas vale a pena! Com certeza absoluta! Eu detalhei estes valores apenas para não deixar ninguém desavisado.
Escrevo essa última entrada deste diário no pequeno (mas fofo) aeroporto de Rio Branco, enquanto aguardamos o embarque, e já com um aperto no coração (que, aliás, viemos sentindo por todo o dia) e, como sempre, com a vontade de voltar pra fazer tudo o que não deu pra fazer desta vez.
Valeu a pena, pela história, pela comida pelas paisagens, pela família, por tudo!
Obrigado, Peru, pela magnífica experiência!
Já o trecho brasileiro é mal conservado, especialmente nos trechos próximos a Brasileia e no trecho urbano em Rio Branco.
O que falha nas rodovias peruanas é a sinalização de locais de ultrapassagem. Há vários pontos em que a faixa está tracejada, mas que não há a mínima condição de realizar a manobra. Às vezes o trecho é curto demais (houve casos em que a faixa tracejada tinha menos de 30 metros! Não fazia o menor sentido), e outras em que simplesmente não havia visibilidade, seja em função do relevo ou de uma curva. Então vale ressaltar que o bom senso é muito importante. Com relação aos motoristas peruanos, como eu já disse anteriormente, eles não sabem utilizar os faróis. Às vezes já está escuro e eles não acendem o farol baixo. Outras vezes, ficam direto com o farol alto. E ainda tem os que piscam os faróis por tudo e por nada. Outro ponto que dificulta um pouco é a utilização das setas em ultrapassagens. Às vezes eles piscam para a direita já no início da manobra, ao invés de piscar primeiro pra esquerda e depois para a direita, quando vai voltar para a faixa. Também notei que alguns caminhões acionam a seta para a esquerda querendo dizer que o caminho está livre para que eu fizesse a ultrapassagem. Decidi ignorar e decidir por conta própria.
Por último, ainda na rodovia peruana, há um único trecho (em dezembro de 2018) que está ligeiramente mal conservado, que fica entre 30 e 40 km de distância de Inapari. De resto, a manutenção é boa. Tive alguns problemas na passagem pela cordilheira em função de deslizamentos de terra e pedras, que danificaram o asfalto ou estreitaram a faixa de rodagem. Tanto na ida quanto na volta houve desvios e paradas. Mas nada que comprometesse a viagem.
Voltando ao trecho brasileiro, quando você se aproxima de Brasileia, você precisa de muita atenção Houve vários casos em que eu precisei quase parar o carro, pois não tinha como desviar dos buracos, que cobriam toda a largura da pista, e eram profundos.
Outro ponto que eu acho relevante mencionar é com relação aos transportes alternativos. Li em vários blogs experiências de brasileiros que se utilizam de táxis, vans e ônibus para cobrir o trajeto entre Rio Branco e Cuzco Na minha opinião é loucura. Os taxistas (do lado brasileiro) não raro trafegam a mais de 120 km/h (lembre-se de que é uma rodovia de mão dupla, com limite de 80 km/h, cheia de buracos e com possibilidade de cruzamento de tratores, animais e motocicletas). Do lado peruano não é muito diferente. O limite de velocidade é de 60 km/h, mas ninguém respeita. Ninguém. Muito menos as vans e ônibus. E os motoristas das vans devem ter um sistema de radar ou de visão além do alcance, pois eu fui ultrapassado em trechos inacreditáveis. Não é muito diferente com os ônibus, que também fazem ultrapassagens como se nunca viesse alguém em sentido contrário. Ou seja, eu acho inseguro, mas é a minha humilde opinião. Por outro lado, vale ressaltar que não vimos nenhum acidente ou algo parecido, e poucos carros pareciam ter sofrido alguma colisão, então pode ser que eles tenham muita sorte. Vai saber...
De qualquer forma a viagem transcorreu sem maiores problemas (caímos em alguns buracos, sendo o pior já em Rio Branco, em uma rotatória, e houve o caso da bateria descarregada, mas fora isso, nada).
Na questão da imigração (tanto brasileira quanto peruana), basta ter paciência (ou sorte). Na ida só demoramos no lado brasileiro, por questões burocráticas mesmo. Um formulário longo pra preencher, e o registro demorado no sistema da PF. Na volta, tivemos um pouco de azar no lado peruano, pois havia fila, mas no lado brasileiro foi bem rápido. Nos dois casos demoramos cerca de uma hora / uma hora e meia para todos os trâmites.
Almoçamos ainda em Inapari, no mesmo restaurante Don Alberto, depois jantamos no restaurante do hotel Ibis próximo ao aeroporto.
A Unidas aqui é bem
Uma última observação com relação ao passeio a Machu Picchu: é caro. Tudo é muito caro. Mas vale a pena!! Quanto caro? Bom, primeiro: o viajante comum chega lá de trem, que custa entre U$ 45 e U$ 85. POR TRECHO!!
A opção de U$ 45 é o trem mais barato e EM PROMOÇÃO. Já o Vistadome da PeruRail (que tem janelas maiores e oferece um snack) custa em média 80 ~ 85 dólares.
Existe ainda a primeira classe, que pode chegar a U$ 450 POR TRECHO. Acho que os assentos devem ser de ouro. Não consigo imaginar em outro motivo que justifique este valor por uma viagem de 92 km.
Segundo: eu comprei os tickets de entrada no Machu Picchu através do site próprio, pagando, por pessoa, entre S 150 (só a cidadela) e S 200 (incluindo a entrada para a subida de Huayna Picchu). No site não tem opção para comprar 'meia entrada' (menores de idade e estudantes). A outra opção seria comprar com intermediários, mas o preço sobe para U$ 70,00. Com a taxa atual para a moeda americana, não compensava, mesmo considerando as entradas reduzidas para as crianças.
Mas não para por aí, pois, a não ser que você tenha muito preparo físico, ainda será necessário pagar o ônibus com o qual você sobe os 200 metros da montanha, até a entrada da cidadela. Esta meia hora de ônibus custa U$ 12, cada trecho.
E, para finalizar, tudo é mais caro em Machu Picchu. Hospedagem e alimentação passando pelas lembrancinhas do (divertido) mercado que fica grudado à estação.
Mas vale a pena! Com certeza absoluta! Eu detalhei estes valores apenas para não deixar ninguém desavisado.
Escrevo essa última entrada deste diário no pequeno (mas fofo) aeroporto de Rio Branco, enquanto aguardamos o embarque, e já com um aperto no coração (que, aliás, viemos sentindo por todo o dia) e, como sempre, com a vontade de voltar pra fazer tudo o que não deu pra fazer desta vez.
Valeu a pena, pela história, pela comida pelas paisagens, pela família, por tudo!
Obrigado, Peru, pela magnífica experiência!
Comentários
Postar um comentário